29.12.09

A

Que interessa escrever se onde moro não há outros olhos, nem jardins, nem hortas azuis, nem escadas castanhas que por pouco se confundem com almas de estrelas mortas. Do outro lado da sala repousa um desenho gelado que transpira serenidade e tem sabor a espanto. Reflecte-me nos olhos como uma criança sem nada, de um completo vazio interior, de cor pura. Tudo me enoja e aborrece de tristeza. Ao mesmo tempo os sons, os sons que entram tímpanos adentro em absurdo domínio. Decorrem com encanto esses movimentos, esses ruídos coloridos em horas aborrecidas à espera de um claro sol.

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